quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Páginas do diário em 03/09/08


As aulas no estilismo são muito boas, estamos “estudando” a forma e a cor dos objetos. Por enquanto tivemos duas aulas práticas, duas teóricas e em outro dia fomos visitar algumas exposições nos museus do centro cultural dragão do mar. Para quem vai da filosofia para lá, como eu fui, não consegue ver seriedade nas matérias que a professora apresenta, porque é como uma volta para o jardim ou a alfabetização num colégio infantil. Chegamos às oito e meia e ficamos até o meio-dia desenhando figuras engraçadas e colando papeis e tecido em folha carson ou cartolina branca. No estilismo encontramos as garotas mais férteis de todos os cursos, elas sempre estão grávidas ou para engravidar, por isso o clima das aulas é tão agradável já que é como se estudássemos com várias mães. Por vezes eu fico pensando que na verdade o tempo em que passamos na sala nós não estamos assistindo propriamente a uma aula, é como se fosse uma continuação do brincar com bonecas, só que as meninas agora vão fazer roupas para gente grande e ganhar um diploma colorido

domingo, 8 de junho de 2008

Nada se repetirá

Eu existo. Mas sei que não tenho como provar tal feito. Eu olho pela janela e o sol se põe. Me pergunto quantas gerações antes de mim viram a mesma cena. Desde os macacos no jardim do Éden até o último astronalta que experimentol a falta de gravidade. Eu como chocolate em barra que a minha mãe me trouxe e esta cena jamais se repetirá. Por isso este é o melhor chocolate do mundo. Nada se repetirá. Nós não somos uma peça do grandioso quebra-cabeça da história da humanidade como pensava Hegel. Nós somos a história; eu e você. É o que a gente faz agora.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Karl Marx


04/06
Eu uso o tempo livre que tenho na disciplina de marxismo para pôr em dia os meus pensamentos filosóficos-metafísicos-puros sobre o mundo. Por isso muitas vezes alguém me vê no pior bar da cidade bebendo a cerveja mais barata e escrevendo verdades categóricas. Outras pessoas, neste mesmo horário, escrevem cartas amorosas, lêem literatura barata, chegam chapadas na aula ou recebem a notícia da paternidade. Ninguém se concentra na aula porque o comunismo foi um sonho que se transformou em pesadelo. Marxismo, leninismo, stalinismo, trotskismo, maoísmo, titoísmo, castrismo, sandinismo, eurocomunismo, luxemburguismo e por fim o capitalismo desesperador.

terça-feira, 3 de junho de 2008

02/06

Ah! final de semana foi tranqüilo. Acabei o Médico e o Mostro e estou quase no final do HQ V de Vingança. Neste último o nosso vilão diz que uma boa música é tão essencial para a vida como o ar que a gente respira. Hoje gravei um CD com as melhores dos Beatles. Preferi as mais dançantes deixando para trás as românticas. Nietzsche afirmava que não acreditava em um Deus que não dança. É realmente muito triste a concepção de um Deus que desceu a Terra e não tenha se apaixonado pelas mulheres, pela boa comida, pelas artes e filosofia.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Somos arqueólogos e filósofos ao mesmo tempo

Nova aula de marxismo, portanto começaremos as divagações de praxe. Neste instante aqui próximo, na reitoria da faculdade, acontece umas bandinhas e diversão. Mas como tem pouca gente, fato comprovado empiricamente, preferimos assistir a isto mesmo. Ontem foi muito bom, tinha muita gente, mas nem tanta que incomodasse, bons amigos vinheram e bebemos um pouco. As nove e meia eu estava numa felicidade tal que é difícil de ser descrita. Nós somos tão pouco educados que chegamos a nos tornar felizes. Hoje peguei uma minha foto aos doze anos e me pergunto quais as alegrias que tinha naquela idade. Que eu me lembre nenhuma mas devo ter vivido momentos tais que valeriam uma vida. A felicidade só se torna triste por ser momentânea. Mas é bela também por isso. Nunca chegaremos a um momento de êxtase pleno, e se chegamos logo passa. A beleza está na caçada. Somos arqueólogos e filósofos ao mesmo tempo.E vez por outra encontramos um raro tesouro

terça-feira, 29 de abril de 2008

quinta-feira, 10 de abril de 2008

instintos

"Todos os nossos orgãos do conhecimento e nossos sentidos são desenvolvidos tão-somente como meios de preservação e crescimento. A confiança na razão e em suas categorias, portanto, somente comprovam a sua ultilidade para a vida". Nietzsche

o que o pai pretende com o filho, o ciêntista com a ciência e o filósofo com o conhecimento? os nossos instintos não tem pretenções mínimas.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Sonha meia noite queimando a floresta amazônica

Você não se importa com as células-tronco. Sonha meia noite queimando a floresta amazônica. E fode com a vida dos seus melhores amigos. Não existe o bem, não existe o mal. Deus está morto. Você compra os melhores celulares. Acessa a internet e come alface molhado em milk-shake. Lê filosofia burguesa. Você não faz a sua roupa, a sua mochila, nunca escreveu uma linha, os seus tênis vieram da china. A comida que você mastiga sem conhecer nenhuma planta. Transistores e circuitos integrados também são constituídos a partir de materiais semicondutores. Todos os parafusos da cadeira que você senta. A caneta. O seu barbeador elétrico. Você não faz nada para mudar o mundo. Só fala. Este mundo não é seu. Nada tem o seu toque. A sua inspiração morre nos bate-papos e orkuts. Mais uma frase insensata. Trabalha num banco destruindo vidas. Compra roupas boas para alimentar a escravidão dos proletariados e o paraíso dos capitalistas. Mais uma festa sem espírito.

domingo, 30 de março de 2008

Quando chego das festas meu humor fica péssimo

Ontem teve pré-carnaval de novo. Foi no sábado. A gente fez o de sempre, reuniu os amigos e bebeu todas. E sempre tem confusão. Alguém que não paga a conta do bar, que rouba bebida, que enche o saco de outro alguém etc. Sempre quando chego das festas meu humor fica péssimo. Acordo como uma princesa mas quando vou dormir só consigo dizer porra, merda e foda-se.

20/01/08 23:38

quinta-feira, 27 de março de 2008

01/02/08 15:50

Ontem também minha tia avó foi para o hospital. Tava se sentindo mal. O momento mágico esta próximo para ela. Ela às vezes escreve umas bostas em louvor a nossa família. Problemas no coração. Fez uma cirurgia e dizem escapou por pouco. Eu digo adiou por pouco. Não por muito tempo. Posso sentir o instante mágico se aproximando. Ela deve ta desesperada escrevendo alguma coisa bonita pra gente se lembrar que ela foi uma boa pessoa. Muito prestativa e respeitosa. Mas quando você morre isso não importa mais. As palavras. O que importa é o que você fez. E quem vai se lembrar são as pessoas que gostavam de você. As palavras realmente não importam quando você está morrendo. Estou ansioso.

mim a meia noite

domingo, 23 de março de 2008

Semana santa eles dizem



Final de semana para que eu não esqueça teve muito peixe, que eu não como logicamente, vegetariano que sou. Teve chuva, bola teve. Mas para ser mais minimalista tenho que lembrar das gotas batendo no meu peito na tarde de sexta-feira. Aquelas sim furiosas. Quinta pela noite a mulher perfeita dentro do rio doce, às vezes minto para ficar mais saboroso. Cortei o dedo, perdi sangue para os besouros, comi chocolate e se eu lembrar mais uma vez da água poderia resumir tudo assim. Algumas imagens que guardaria para vocês seriam: O meu primo olhando para os passarinhos com cara de abestalhado, A minha namorada correndo por uma vereda usando vestidinho curto e o vestidinho curto da mesma, nesta ordem. Sábado à noite em vez das festas um debate sobre religião, que eu previno não mudar coisa nenhuma. Eu só boto lenha na fogueira e aprecio, como bom filósofo que sou. As perguntas sovadas sobre a onipotência de deus que eu mesmo sei a resposta e fico me coçando para que ninguém mais saiba. Semana santa eles dizem, para mim o que tem de especial é ver os matos verdes como nunca.

quarta-feira, 19 de março de 2008

5 de janeiro de 2008


5 de janeiro de 2008

O dia foi bem cheio. Por aqui eu sempre penso que não vai acontecera nada, ainda mais agora que a minha namorada ta viajando. Acordei um pouco tarde, lá pelas nove ou dez. Dormi bem. Sem sonhos. Fui aguar as plantas do quintal. Depois que cheguei de viajem percebi que elas cresceram muito. Uma semana apenas. Acho que foi a chuva, finalmente começou o inverno. Depois de olha-las comecei a andar pela rua. Parei numa esquina e vi uma locadora de games, sim, comecei a jogar algo interessante. Chega de filmes e livros. O fato agora é que eu estou de férias e as estrago com quiser. Vá a merda os intelectuais! Chega de tentar salvar o mundo. Depois voltei para o almoço, tava com uma saudade da comida daqui. Uma ótima mãe. Fiz a sexta perambulando pela casa, brincando com o meu gato pelo chão, assistindo as idiotices da tv de longe. Dormi um pouco e sai. Percebi mais uma vez que odeio carro, todo esse barulho. O que é bom nas cidades pequenas é que você pode andar de bicicleta sem blusa o dia todo. Você sente o vento contra o seu corpo. Sensação maravilhosa. Mas aqui? Que vento, só tem fumaça de ônibus e olhe lá. Será que estou me tornando um velho rabugento antes da hora? Talvez. Andei um pouco pelas ruas, olhei as pessoas, as casas, as árvores. Sim ainda tem árvore por onde eu ando. Fui à casa de um primo mas ele não tava lá. Encontrei um amigo por acaso e conversamos um pouco sobre a faculdade. Me chamou pra assistir a um filme amanhã no cinema. Filme? Não, não. Todas aquelas super produções estão me deixando com nojo. Sabe quanto eles gastam pra fazer a porcaria de um Harry Potter? Nem queira saber. O mundo não é pobre, as nossas almas que são. Você escreve sobre um bruxo que não transa e ganha milhões. Foda-se. Quando vinha pra casa encontrei outra amiga, essa eu não via a mais de um ano. Ela me devolveu um livro que tinha emprestado. Com um ano de atraso mas valeu. O livro não é de uma adição tão boa assim, pra falar a verdade eu nem senti falta. Nós conversamos bastante sobre tudo. Ela é meio tagarela. Me apresentou a mãe dela. Fiquei de emprestar um filme pra ela. Se der coragem amanhã eu passo por lá e deixo. Sai umas três horas de casa e cheguei dez e pouco. Dia cheio. Jantei e agora acho que vou ler um pouco. Sabe que livro? Deixa pra lá.

domingo, 16 de março de 2008

Dia de flatulências sutis


Domingo é dia de ficar no computador até doerem todas as suas juntas, no meu caso. Comer porcarias para forra o bucho esporadicamente. Fazer fofoca, assistir programas que odeia na semana. Segurar a vontade de mijar o quanto poder, poucas gotas na cueca ainda vão bem. Você não lê, passa longe dos filmes cultos e dá banho no gato. Dia de ressaca para alguns, de bebedeiras para outros, no meu caso uns sim e outros não. Dia de ventos singulares. Poucos carros. Mulheres amenas. Escova-se menos os dentes, menos banhos. Deixa tudo que tem pra fazer pro dia seguinte mas infelizmente é segunda, o dia posterior ao domingo. Você descansa de ter descansado. Dia de flatulências sutis.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Tereza



1

A primeira transa com Tereza foi mais dor do que amor, ela gritava e saiam lágrimas doces dos seus olhos que eu engolia com beijos apaixonados. Tereza era forte, quando criança ganhava as bonecas de presente para agarrá-las as pernas baixando na cabeça dos meninos grandes da rua. Já nesta época eu sentia que de alguma forma ela se tornara forte para defender aquele garoto amarelo que todos conheciam por João, prazer! Tereza era ágil, esperta, imaginava coisas e tinha respostas para todas as perguntas do mundo: Beijar é conversar pelo coração. Uma semana depois ela entregou-me de novo, desta vez doeu menos para a felicidade de ambos e eu me sentia casado e para sempre seguro nos braços suados que antes me defendiam e que agora me apertavam como se eu tivesse feito alguma má-criação. Nestas tardes em que o céu se encontrava limpo e azul Tereza ia me pegar pela mão para em encher de comida imaginária, não gostava das bonecas da mãe, mas nutria certo amor maternal por mim, talvez pelo meu corpo magrela que devia dá pena para aquela menina tão bondosa.

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E sobre o lance dos selos, que eu nao sei bem o que é, que a samila me endicou como último na categoria importância. Bem, só tenho o blogger dela e o do mingau e da letícia pra indicar. Estou realmente atarefado esses dias. Faculdade, livros, linguagem. Ai vão...


http://filosofiaminha.blogspot.com/

http://me-da-uma-aspirina.blogspot.com/

Sem ordem de IMPORTÂNCIA!

quinta-feira, 6 de março de 2008

Cocô e sexo


Acordei cedo e fui almoçar na casa de Luisa. Sai daqui de casa umas onze horas debaixo de chuva para não me atrasar. Ela preparou peixe cozido, macarrão, feijão e arroz. Enchi o prato duas vezes e depois fui come-lá. Nos deitamos na cama e dormirmos a tarde quase toda. Umas três horas vinha pra casa quando encontrei Caco, um velho amigo drogado que sempre ia pro carnaval com a gente, menos esse ano, passou o feriado na praia. Fazia tempo que não fazia sexo e lá uma menina chupou ele. Felação. Boquete. Ele tinha saído com a menina de novo depois do carnaval então perguntei:

- cadê a mulher ontem chupou de novo?
- não só bronha.
- foi massa?
- não, ela me passou gripe, não era o que eu esperava.
- tava bebo quando conheceu?
- claro, grande pergunta.

Perguntei se tinha sido bom lá na praia.

- claro, eu tava lá.
- to começando a achar que o povo ta certo quando te chama de convencido.

Perguntou se eu tinha voltado com Luisa.

- voltei
- Amor é assim mesmo, o cara não entende nada, o importante é ta feliz.
- anda lendo livro de auto-ajuda?
- não, experiência. Mas se tu gosta ninguém tem nada a ver com isso. As pessoas são más, só querem derrubar a gente. O amor é assim mesmo.
- vai se fuder.
- eu to apaixonado pela vida cara. Agora vou virar zen doido.
- o que foi que tu viu lá na praia Caco?
- só a vida. vou mais beber não, nem fumar. Só praia, natureza, sexo.
- sexo, agora me comovi.
- bicho o homem tem que saber seus limites.

Nessa hora ele a gente tava escutando John Lennon vindo de longe. Perguntei se ele ia virar Hari.

- não doido, o deus deles têm muitos braços. Só surf e sexo, sem drogas. Passei cinco dias alcoolizado.
- se tu tivesse lá na serra tinha cheirado pó.
- eu sei, não ter ido foi um sinal.
- cara sem deuses ta ligado? Uma parada só minha. Só sexo, free. Chega de destruição e ódio e deuses, só sexo.
- vamos fazer uma fazenda auto-sustentável.
- não cara, vamos fazer sexo, agora.
- nós dois?
- contigo eu não faço, tu sabe porque, é grande.

Começou a tocar imagine e ele falava seguindo a música.

- imagine cara, imagine.
- as pessoas no mundo vivendo só de sexo.
- isso.
- e cagando, porque cagar é bom. Cocô e sexo.

A noite fomos jantar na casa de Luisa.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Eu sou inquieto, rebelde...


Eu sou inquieto, rebelde, desconfortável, sentar numa cadeira para escrever me requer muitos pontos de força de vontade. Para eu ler Kant ou Hegel é dizer não aos pássaros, o céu, e as flores lá fora. Que livro pagaria o preço de um dia feliz? Deve ser por isso que tem tanta gente doente nesta faculdade. Este ar condicionado em nada se compara ao vento fresco da noite. Cada dia que passa mais a minha filosofia se aproxima da rebelião e da desobediência. Chegará um dia em que ela será considerada um crime, só assim filosofar se tornará para mim um ato grandioso.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

É isto que eu chamo de acaso.


Para cada pessoa existe um tipo de reação para cada situação. Se você faz o contrário do que costuma fazer vai se transformar no contrário do que é. É isto que eu chamo de acaso. Se escolher amigos diferentes, namorada diferente, lugares diferentes, comidas diferentes, ônibus diferente, roupas diferentes, unhas diferentes e pasta de dente diferente você é outra pessoa. As linhas não estão traçadas, não existem finalidades, o que acontece de mau acontece, se não fosse desta maneira seria de outra. Qual o sentido das coisas? Tudo o que aconteceu: a chuva de determinado dia, a festa que você não foi, a carona que ganhou, o colégio que estudou ou a faculdade que escolheu fazem parte da sua existência. Mas não se confunda, todas as coisas que aconteceram para que você fosse desta maneira ocorreram antes, o futuro é perfeitamente modelável. Escolhas. Opte por beber menos e será uma pessoa que bebeu menos, se comer mais será mais gordo, se assistir mais televisão será uma pessoa que assistiu mais televisão. Ninguém pode escolher pôr você e às vezes nem mesmo você mesmo pode escolher. É tudo uma questão de onde você está, a que hora está, com quem está, como está. Circunstâncias, acaso. Escolha sofrer menos ou sofrer mais, faça o máximo que puder para dar certo e espere. Você sabe o que você é e o que ocorreu para que chegasse a este ponto, mas não sabe em quem vai se transformar. Pode lutar pra se transformar em algo que queira, mas nada é garantido. E qual é o sentido das coisas? Você pode lutar para tornar-se como o seu melhor amigo, mas e depois quem você será se não é mais como era? E ele quem será para você? E a amizade de vocês no que vai se converter? Você poderia não ter saído hoje ou ter chegado mais tarde, poderia ter caminhado por outras ruas ou bebido menos água, mas em quem iria se metamorfosear? Causas imprevisíveis e independentes, sem lógica, irracionais. O que você se torna. O rumo da sua vida. Acontecimentos sem importância. Se o seu pai não agisse assim talvez não fosse o pai que você conhece. Mas qual o sentido das coisas? Efeito borboleta.

A beleza da morte.


Criar um novo blogger pra que mesmo? Sei lá! Mas ai vão alguns pensamentos sobre a morte, uma questão que está na moda, e faz tempo.


Sabe o que acontece do lado de lá? Nada. Você morre e os vermes te comem e essa é a beleza de tudo. Você passa a vida toda se preservando para virar carniça. Todos os seus anos de musculação, plástica e comidas lights. A beleza da morte. Sabe o seu gato gordo e fofinho? Pois é. Os seus dentes sem falhas. Os seus pulmões saudáveis. Os seus rins funcionando perfeitamente. A sua pele bronzeada. Todos os seus cremes para retardar o envelhecimento. No final é tudo mentira e você vai ficar maravilhado se puder sentir dor. Tem gente que prefere morrer dormindo. Um instante você ta lá e no outro não. Qual é a graça? Queria me manter firme quando a hora chegasse, mesmo com dor. Ao menos eu iria saber que está acontecendo. O momento único. Toda a poesia entrando pelos seus olhos, boca, nariz, garganta, estomago... E o relógio em contagem regressiva. Vinte segundos, dez, nove, oito, cinco, dois. O segundo dia mais encantador da sua vida, do primeiro ninguém se lembra. Se você trepou muito ou pouco já não é mais momento para arrependimento. Você está lá, só tem que aceitar como um grande SIM, o último. E todos os amigos que você não fez e pessoas que odiou. Nada mais importa. Foda-se. Pode sentir-se feliz por ser um materialista canalha! Hoje é o seu grande júbilo.



Ontem também minha tia avó foi para o hospital. Tava se sentindo mal. O momento mágico esta próximo para ela. Ela às vezes escreve umas bostas em louvor a nossa família. Problemas no coração. Fez uma cirurgia e dizem escapou por pouco. Eu digo adiou por pouco. Não por muito tempo. Posso sentir o instante mágico se aproximando. Ela deve ta desesperada escrevendo alguma coisa bonita pra gente se lembrar que ela foi uma boa pessoa. Muito prestativa e respeitosa. Mas quando você morre isso não importa mais. As palavras. O que importa é o que você fez. E quem vai se lembrar são as pessoas que gostavam de você. As palavras realmente não importam quando você está morrendo. Estou ansioso.